Havia um incêndio grande no bairro do Portão, calculei que pela hora e situação que me encontrava não teria tempo de chegar a registrar os primeiros momentos. Fiquei desanimado, mas não desisti da pauta.
Chegando lá vi que ainda existia muita fumaça. Topei com João Frigério (plantão190) indo embora. Como não estava com a adrenalina a toda, pude pensar com calma sobre o que ainda poderia render sem imagens do fogo. Lembrei que a operação de rescaldo raramente é mostrada, normalmente sendo suprimida pelas informações do início da ocorrência.
Com a situação já controlada os bombeiros permitiram a aproximação dos repórteres. Ao ter acesso aos locais mais afetados, pude ver o quanto é duro estabilizar um local totalmente destruído. Tinha ferro retorcido, telhado caindo, janelas estilhaçadas e focos latentes de fogo, muito trabalho a ser feito. Com uma cena dessas a calmaria pode ser quebrada sem aviso prévio.
Através de um buraco na parede, eu e o Jonas (Jornal do Estado) fazíamos umas fotos do interior da loja incendiada, os bombeiros derrubavam e cortavam o que estava para cair. No porão da loja vizinha um bombeiro fazia o trabalho de reconhecimento da edificação, mas acabou ficando trancado em um ambiente saturado de fumaça e cheio de entulhos. Foi um momento muito tenso. Uma porta de aço trancada o impedia de sair do ambiente confinado, e para piorar, o ar que ele dispunha no cilindro estava acabando. O companheiro que havia conseguido sair por outra parte do prédio parecia estar nervoso.
Rapidamente um oficial ordenou para que a porta fosse cortada, e após alguns minutos de trabalho tenso o bombeiro saiu pelo buraco. Através da mascara dava para perceber a emoção do combatente ao conseguir respirar livremente, com o alívio vieram as lágrimas nos olhos do companheiro. Esse foi literalmente um rescaldo quente.
Foto: Lineu Filho/Jornale
Foto: Lineu Filho/Jornale
Foto: Lineu Filho/Jornale
Foto: Lineu Filho/Jornale
Foto: Lineu Filho/Jornale
Foto: Ciciro Back/O Estado do Paraná e Tribuna do Paraná










